MIDIAS PARA EDUCADORES E FORMADORES

La vida que voa!!!

A ESCRITA DO SURDO

Ao longo da história, três filosofias educacionais se destacaram na educação de surdos, e continuam presentes em maior ou menor intensidade nas instituições e/ou escolas que atendem alunos com deficiência auditiva.

De acordo com Dorziat (1997, p. 13), “apesar das diferentes opiniões que dividem e subdividem as metodologias específicas ao ensino de surdos, em termos de pressupostos básicos, existem três grandes correntes filosóficas: a do Oralismo, da Comunicação Total e do Bilingüismo”.

Mediante tal afirmação seria interessante apresentarmos um breve histórico da educação de surdos, a fim de situarmos as tais concepções filosóficas citadas.

SACKS (1998) conta que até o final do século XV não havia escolas para surdos, estes eram considerados incapazes de aprender. Em meados do século XVI, Girolano Cardano propôs um conjunto de princípios que prometia uma ajuda educacional e social para os surdos, afirmando que este podia ser pensante, compreender símbolos gráficos ou combinações de símbolos associados a objetos ou figuras que os representassem. Assim, no início de 1555, surgiu a educação oral para crianças surdas. Algumas crianças surdas de famílias nobres aprenderam a falar e a ler para poderem ser reconhecidas como pessoas nos termos da lei e herdar títulos e propriedades de suas famílias.

Nos Estados Unidos, em 1817, Thomas Hopkins Gallaudet, com Laurent Clerc, fundaram o Asilo Americano para Educação e Instrução dos Surdos Mudos (atual Universidade Gallaudet). Nesta época houve uma grande valorização e aceitação da língua de sinais, aumentando o número de surdos alfabetizados na França, nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

Após esse período, ocorreu o chamado “ponto crucial” para a história dos surdos, onde tudo, que bem ou mal estava caminhando, mudou o percurso da história. Começou a surgir um movimento contra o uso de sinais por e para os surdos.

No ano de 1880 aconteceu um Congresso Internacional de Educadores de Surdos, em Milão, no qual foi depreciado o uso da língua de sinais. Segundo Skliar (1997), esse Congresso não contou com a participação, tampouco com a opinião dos surdos, ao contrário, um grupo de educadores ouvintes impôs a superioridade da língua oral sobre a língua de sinais, sendo, então, decretado que a primeira deveria constituir o único objetivo do ensino de surdos.

A partir de então baniu-se completamente o uso dos sinais no ensino de alunos com surdez .

Essa concepção de educação enquadra-se no modelo clínico terapêutico da surdez, impondo uma visão patológica e um déficit biológico, os quais seriam reparados e/ou corrigidos pelas estratégias e recursos educacionais do Oralismo.

Dorziat (1997) nos esclarece de que a concepção do Oralismo visa a integração dos surdos, na comunidade de ouvintes, condicionando-os ao aprendizado e desenvolvimento da linguagem oral. Considera-se que, para a boa comunicação, a pessoa com surdez deva oralizar bem, sendo o principal objetivo dessa filosofia, como já foi apresentado, fazer uma reabilitação da criança surda em direção à “normalidade”, à “não surdez”.

As metodologias utilizadas no Oralismo se justificam por pressupostos e práticas diferenciadas, mas se unem no fato de acreditarem que a língua oral é a única forma desejável e efetiva de comunicação do surdo.

De acordo com Dorziat (1997, p.13) “esse método procura assim reeducar auditivamente a criança surda pela amplificação de sons, juntamente com técnicas específicas de oralidade”.

Autores e pesquisadores na área de surdez como Sacks (1998) e Dorziat (1997), dentre outros, avaliam que o Oralismo e a supressão de sinais tiveram como conseqüência a deteriorização das conquistas educacionais dos sujeitos com surdez e do grau de instrução alcançados por esses indivíduos.

Alguns oralistas tentam justificar os resultados negativos ou incompreendidos do Oralismo, de forma geral, por aqueles que se contrapõem às suas idéias. Freeman, Carbin e Boese (1999, p. 145) fazem o seguinte comentário acerca dessas justificativas:

Em vez de questionar a sabedoria de sua abordagem restritiva, os oralistas argumentam que os resultados de um treinamento oral, reconhecidamente pobres, originam-se do fato de não se ter feito um diagnóstico o quanto antes, de não haver iniciado a amplificação cedo, de não se dispor de um aparelho auditivo corretamente ajustado, de não existir pessoal adequadamente qualificado, de não se ter conseguido motivar os pais, para que insistissem no uso constante do aparelho auditivo [...] as condições para o sucesso são objetivos ideais pelos quais alguns podem desejar lutar para alcançar, mas, ao mesmo tempo, essas condições são uma desculpa pronta para o que os outros consideram “insucessos”, na abordagem básica do tratamento da criança surda.

Marchesi, apud Chaves (s.n.t.), relata que nos anos 60 ocorreu nos Estados Unidos um novo movimento, fruto da insatisfação com os resultados obtidos na educação de surdos, retomando, assim, as concepções que utilizavam a língua de sinais, enfatizando, nesse primeiro momento de transição, a Comunicação Total, sobretudo nas décadas de 70 e 80.

Podemos dizer que o grande mérito dessa concepção consiste em deslocar a língua oral como o grande e principal objetivo na educação de sujeitos com surdez, priorizando a comunicação dos mesmos. O sujeito com surdez deixa de ser visto como portador de uma “patologia”, e passa a ser considerado como uma pessoa capaz.

O principal objetivo da Comunicação Total consiste na efetivação dos processos de comunicação entre os sujeitos com surdez e entre estes, e os demais sujeitos.

De acordo com Denton (1976, p. 4), apud Freeman, Carbin, Boese (1999, p. 171), a definição freqüentemente citada é a seguinte:

A Comunicação Total implica em que a criança com surdez congênita seja introduzida precocemente em um sistema de símbolos expressivos e receptivos, os quais ela aprenderá a manipular livremente e por meio dos quais poderá abstrair significados ao interagir irrestritamente com outras pessoas. A Comunicação Total inclui todo o espectro dos modos lingüísticos: gestos criados pelas crianças, língua de sinais, fala, leitura oro-facial, alfabeto manual, leitura e escrita. A Comunicação Total incorpora o desenvolvimento de quaisquer restos de audição para a melhoria das habilidades de fala ou de leitura oro-facial, através de uso constante, por um longo período de tempo, de aparelhos auditivos individuais e/ou sistemas de alta fidelidade para amplificação em grupo.

Os maiores benefícios da Comunicação Total residem no fato de que esta encoraja a aceitação da criança surda como uma pessoa cuja linguagem precoce pode crescer em resposta às necessidades crescentes, reforçando uma abordagem individualista de acordo com as habilidades de cada criança e de cada tipo ou grau de surdez.

Autores como Sanches (1990) e Dorziat (1997), dentre outros, dizem que o grande problema desta filosofia é a mistura de duas línguas (Português + Língua de Sinais), o que resulta numa terceira modalidade que é o Português sinalizado, onde ocorre a introdução de elementos gramaticais de uma língua na outra. Essa prática recebe, também, o nome de Bimodalismo e inviabiliza o uso adequado da língua de sinais.

Dorziat (1997, p.16) faz a seguinte citação a respeito dessa problemática:

Como não existem na língua de sinais componentes da estrutura frasal do Português (preposição, conjunção, etc.), são criados sinais para expressá-los. Além disso, utilizam-se marcadores de tempo, de número e de gênero para descrever a língua portuguesa através de sinais. A isto se chama de Português sinalizado. Outra estratégia utilizada pela Comunicação Total é o uso de sinais na ordem do Português, sem no entanto, usar marcadores, como no Português sinalizado. O que existe em ambos os casos é um ajuste da língua de sinais à estrutura da língua portuguesa.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A ESCRITA DO SURDO

A conclusão que alguns autores tiram do uso da Comunicação Total é que essa concepção, através de seus procedimentos comunicativos, serviu mais aos pais e professores ouvintes do que aos alunos com surdez.

A partir da efetivação de discussões como as que apresentamos acerca das práticas até então utilizadas junto aos sujeitos com surdez, surge uma nova filosofia educacional que apreende a língua de sinais na sua forma genuína, é a chamada Bilingüismo, a qual tem sido difundiada e apreciada, sobretudo, a partir da década de 90.

Goldfeld (1997, p. 38) caracteriza o Bilingüismo da seguinte forma:

O Bilingüismo tem como pressuposto básico que o surdo deve ser Bilíngue, ou seja deve adquirir como língua materna a língua de sinais, que é considerada a língua natural dos surdos e, como Segunda língua , a língua oficial de seu país[...]os autores ligados ao Bilingïsmo percebem o surdo de forma bastante diferente dos autores oralistas e da Comunicação Total. Para os bilingüistas, o surdo não precisa almejar uma vida semelhante ao ouvinte, podendo assumir sua surdez.

O Bilingüismo assume que a língua é uma importante via de acesso para o desenvolvimento do surdo em todas as esferas de conhecimento, propiciando a comunicação do sujeito com surdez com os seus pares e com os outros sujeitos, dando suporte ao pensamento e estimulando o desenvolvimento cognitivo e social.

De acordo com Sacks (1998, p. 44):

A língua de sinais deve ser introduzida e adquirida o mais cedo possível, senão seu desenvolvimento pode ser permanentemente retardado e prejudicado, com todos os problemas ligados à capacidade de “proposicionar” [...] no caso dos profundamente surdos, isso só pode ser feito por meio da língua de sinais. Portanto, a surdez deve ser diagnosticada o mais cedo possível. As crianças surdas precisam ser postas em contato primeiro com pessoas fluentes na língua de sinais, sejam seus pais, professores ou outros. Assim que a comunicação por sinais for aprendida, e ela pode ser fluente aos três anos de idade, tudo então pode decorrer: livre intercurso de pensamento, livre fluxo de informações, aprendizado da leitura e escrita e, talvez, da fala. Não há indícios de que o uso de uma língua de sinais iniba a aquisição da fala. De fato, provavelmente, ocorre o inverso.

Dessa forma percebemos que na instauração real do Bilingüismo, a língua de sinais é importante e imprescindível por possibilitar o domínio lingüístico e a capacidade de expressar-se de forma plena e segura; e a língua oral ou escrita em Português possibilitará a comunicação com o meio.

Segundo Goldfeld (1998), há duas formas distintas de definição da filosofia bilíngüe, quais sejam, a primeira acredita que a criança surda deve adquirir a língua de sinais e a modalidade oral da língua de seu país, sendo que posteriormente esta deverá ser alfabetizada na língua oficial de seu país. Por outro lado existem aqueles que acreditam que os sujeitos com surdez devam aprender a língua de sinais e a língua oficial de seu país apenas na modalidade escrita e não na oral.

De acordo com Bernardino (2000, p. 29):

a língua é considerada importante via de acesso para o desenvolvimento do surdo em todas as esferas do conhecimento, propiciando não apenas a comunicação do surdo com o ouvinte, mas também com o surdo, desempenhando também a função de suporte do pensamento e de estimulador do desenvolvimento cognitivo e social. O Bilingüismo considera que a língua oral não preenche todas essas funções, sendo imprescindível o aprendizado de uma língua visual-sinalizada desde tenra idade, possibilitando ao surdo o preenchimento das funções lingüísticas que a língua oral não preenche. Assim, as línguas de sinais são tanto o objetivo quanto o facilitador do aprendizado em geral, assim como do aprendizado da língua oral.

Tendo havido um reconhecimento geral da surdez e das filosofias educacionais utilizadas ao longo da história, assim como uma apreciação geral de determinados autores acerca de cada uma delas, podemos dizer que estamos passando por um período de transição entre as idéias oralistas e aquelas que têm se baseado na utilização da LIBRAS.

A abordagem metodológica utilizada neste trabalho é a pesquisa qualitativa, através da qual, segundo Bogdan e Biklen (1994, p.51):

Os investigadores qualitativos estabelecem estratégias e procedimentos que lhes permitem tomar em consideração as experiências do ponto de vista do informador. O processo de condução de investigação qualitativa reflete uma espécie de diálogo entre os investigadores e os respectivos sujeitos, dado estes não serem abordados por aqueles de uma forma neutra.

A modalidade de pesquisa a ser utilizada é a análise de textos produzidos pelos alunos com surdez, já alfabetizados, nos quais analisaremos os efeitos das teorias educacionais, que foram norteadoras do processo pedagógico utilizado com esses indivíduos, para sua linguagem escrita.

Os sujeitos da pesquisa se constituem em 3 alunos com surdez, já escolarizados e alfabetizados em um dos modelos das três teorias educacionais apresentadas, sendo F. de 18 anos (surdez profunda), B. de 15 anos (surdez profunda) e K. de 10 anos (surdez severa à profunda), oriundos de escolas diferentes, das redes municipal e estadual.

Os instrumentos de pesquisa são as próprias produções escritas dos alunos.

Utilizamos, também, a entrevista não-estruturada, para obtenção da história de vida escolar dos sujeitos da pesquisa. Na entrevista não-estruturada, de acordo com Lüdke e André (1986, p.33-4),

não há imposição de uma ordem rígida de questões, o entrevistado discorre sobre o tema proposto com base nas informações que ele detém e que no findo são a verdadeira razão da entrevista. Na medida em que houver um clima de estímulo e de aceitação mútua, as informações fluirão de maneira notável e autêntica.

Tais entrevistas nos possibilitaram confirmar em qual modelo os sujeitos da pesquisa tinham sido educados, uma vez que já os conhecendo em seu processo educacional, tínhamos uma hipótese sobre tal questão. Realizamos entrevistas com os próprios sujeitos e com os responsáveis dos alunos B. e K., por serem menores.

A ESCRITA DO SURDO

Para tanto, iniciaremos nossa análise relatando a história de vida escolar de cada um dos sujeitos da pesquisa, principalmente no que se refere à filosofia educacional para surdos que norteou tal processo dos mesmos.

Começando por F., de 18 anos, destacamos que esta apresenta surdez profunda congênita . Os atendimentos fonoaudiológicos de F. foram iniciados tardiamente, aproximadamente entre 4/5 anos.

A escolarização de F. iniciou-se aos 8 anos, tendo esta freqüentado a escola especial por quatro anos. Aos 12 ingressou na escola regular de ensino. Ambas as escolas - especial e regular - que F. freqüentou tinham como filosofia educacional para surdos o Oralismo.

Vejamos a transcrição de um texto escrito por F., direcionado à uma intérprete, no qual ela relata, em forma de bilhete, como seria seu dia escolar na segunda-feira.

Porque Amanhã todo já trabalho mais hora rápido 6 FLAVIANA Assim você corre para junto só uma bom Professora Feliz rir falou amigo tem papel cada muito gosta de Deus Flaviana não aluno falou acabou aluno já casa rapido.

Ao observarmos o texto de F., podemos perceber todas as dificuldades estruturais de linguagem escrita do aluno com surdez que destacamos em Fernandes (1990), no início deste trabalho.

Uma pessoa que não conheça as peculiaridades da escrita de alunos com surdez, especificamente que não conheça a escrita da referida aluna, não compreenderia o bilhete da mesma, ao contrário, acreditaria ser um amontoado de palavras desconexas, sem significado algum.

F. diz, em seu bilhete, que amanhã (segunda-feira) todos os alunos de sua turma irão fazer os trabalhos (atividades) de aula rapidamente (talvez uma competição freqüente entre os alunos de sua turma), para ver quem termina primeiro, colocando-se como a 6a na ordem. Diz, ainda, que a professora fica feliz com quem termina antes, considerando (percepção da aluna) o terminar primeiro como qualidade do bom aluno. Além da mensagem principal, ela comenta que falou com alguns amigos, através de papéis escritos (bilhetes), que gosta de Deus. Finalmente, escreve que algum aluno teria falado que quem acaba antes vai para casa mais rápido, e ela não estaria neste grupo de alunos. Portanto, justifica-se o seu desejo de ser uma das primeiras a terminar as atividades escolares, o mais rápido possível.

Percebemos que o texto dessa aluna é incompreensível na estrutura de escrita do Português que conhecemos, onde usa-se, no mínimo, uma seqüência simples de SUJEITO-VERBO-OBJETO. Apesar de, em alguns momentos, ela tentar utilizar de todos os recursos que conhece da língua majoritária (tais como letras maiúsculas, pontuação, flexão temporal de verbos, dentre outros), esta se perde na forma correta de inseri-los no texto.

O texto de F. reflete uma grande incompreensão acerca da linguagem que lhe cerca e da língua utilizada em seu dia a dia, tornando seu registro indecifrável, pela maioria das pessoas, e por ela mesma, pelo fato de não ter segurança em como fazê-lo.

Ao escrever, a aluna lança mão de todos os aspectos que, visualmente, ficaram registrados em sua memória (via imitação), mesmo não os compreendendo, e insiste em fazer um bilhete, já que o percebe como uma prática social de escrita bem aceita socialmente. Percebemos, assim, que mesmo sem saber utilizar, corretamente, os instrumentos primordiais para a leitura escrita, a aluna conhece a importância social de fazê-lo.

Tendo sido inserida num contexto diário de pura oralização, tanto familiar quanto escolar, F. foi impossibilitada de construir e compreender conceitos e práticas lingüísticas que lhe capacitassem para uma comunicação efetiva e fluente, na forma gestual, oral ou escrita. A conseqüência dessa prática inconsistente é a difícil compreensão de sua oralização e de suas produções escritas, como vimos no modelo que foi utilizado.

Podemos dizer que as palavras de Gotti (1997, p. 32) reforçam e complementam com exatidão o equívoco lingüístico cometido com F., quais sejam:

A leitura orofacial é um auxílio à comunicação e não um substituto da audição. É um instrumento interpretativo, inexato e por isso mesmo “ambíguo”, uma vez que grande quantidade de fonemas que “soam” diferentes ao ouvido normal, “aparecem” iguais nos lábios de quem as pronuncia, e outros nem mesmo “aparecem”.

Assim, ao promover a oralização do sujeito com surdez, exclusivamente para possibilitar sua integração no mundo oralizado e sonoro de ouvintes (como ocorreu com F., no caso apresentado), percebemos que sem a utilização de uma língua adquirida através da interação, a qual determine a formação do pensamento, estaremos, na realidade, intensificando essa diferença lingüística, pois esses indivíduos, apesar de se esforçarem para falar o Português, provavelmente sofrerão dificuldades cognitivas, sociais e emocionais.

O segundo aluno, cuja história de vida passamos a relatar, é B. de 15 anos.

B. apresenta surdez profunda adquirida, cujas causas baseiam-se nas seqüelas deixadas pela Meningite Meningocócica contraída aos 12 meses de idade .

Todas as fonoaudiólogas que atenderam B. eram adeptas do Oralismo, tendo o aluno conhecido a língua de sinais anos depois, através do contato com surdos adultos.

Sua escolarização formal iniciou-se em uma escola especial, aos 4 anos, tendo freqüentado a mesma durante sete anos, a qual baseava-se no modelo da Comunicação Total. Aos 11 anos, B. ingressou na escola regular de ensino, onde as metodologias utilizadas representavam um misto do Oralismo com a Comunicação Total (e ainda representam, pois o aluno continua na mesma escola).

Ao entrevistarmos a mãe de B. e o próprio aluno, fomos informados de que a utilização da Comunicação Total facilitou o relacionamento e a comunicação familiar, porém, o aluno relatou que se sentia muito confuso na escola com expressões criadas que dificultavam uma compreensão clara e objetiva dos conteúdos, além da falta de consonância entre os sinais usados em casa e na escola. O uso da datilologia (alfabeto manual) era mais freqüente devido a facilidade de compreensão pelos professores e pais.

Após uma apreciação geral do histórico de vida de B. passemos ao texto escolhido para análise. Trata-se de uma carta de contexto religioso enviada a uma intérprete de LIBRAS.

Oi tudo bom L.

Eu sou muito feliz você.

Espírito Santo visitar sua vida.

Deus dar sua dons própria surdo mundo.

Quando L. chegou igreja. Você viu dois surdo B.-D. Verdade.

Passado muito difícil para mim Por causas. Não tem interpretas. Agora Deus prepara já começou Graça Deus.

Eu te amo L. realidade.

Eu nunca esqueça Você Por que amo Verdade.

Toque Silêncio amo você

Abaçou pra L.

Beijo Boca.

O texto de B. traz diferenças significativas se for comparado ao texto de F.que analisamos anteriormente.

B. procura escrever dando um corpo inteligível a sua carta, marcando o início (com os cumprimentos e o começo da mensagem desejada), o meio (com os argumentos de sustentação da mensagem) e o fim (com o fechamento da mensagem desejada e os cumprimentos finais).

Percebemos que em seu texto também ocorrem equívocos quanto à estruturação de sua escrita no que concerne ao uso de alguns elementos de ligação, flexão do verbo, ao uso da letra maiúscula fora de hora (talvez como marca ou supercorreção), disposição de frases e/ou parágrafos, dentre outros. No entanto visualizamos um avanço muito grande com relação à escrita do aluno anterior.

Tendo sido educado num modelo mais voltado para a Comunicação Total, B. pôde contar com o melhor aproveitamento de seu potencial visual e gestual, aliado ao grande apoio familiar.

Mesmo com os grandes avanços percebidos em sua escrita, devemos considerar que, ainda assim lhe falta uma linguagem efetiva, visto que a Comunicação Total baseia-se num conjunto de recursos e não na fluência de uma língua.

Ao termos analisado o texto de B., percebemos que a Comunicação Total, como filosofia de educação de sujeitos com surdez, demonstrou uma eficácia maior em relação ao Oralismo, levando em consideração aspectos importantes do desenvolvimento. No entanto, esta não utiliza a língua de sinais em sua forma plena e passa a criar recursos artificiais para facilitar a comunicação, tendo como conseqüência a dificuldade de comunicação entre sujeitos com surdez que dominam códigos diferentes da língua de sinais.

Finalmente, apresentaremos a história de vida de K. de 10 anos.

A aluna em questão apresenta surdez severa à profunda congênita, decorrente da Rubéola contraída , pela mãe, através de um familiar .

A aluna freqüenta o atendimento fonoaudiológico desde a descoberta da surdez.

K. freqüentou o ensino especial durante quatro anos, especificamente dos 5 aos 9 anos, sendo esta baseada num modelo de transição do Oralismo para a Comunicação Total. Posteriormente, a aluna ingressou em uma escola regular que tem se empenhado no sentido de promover um ensino voltado para o Bilingüismo. Podemos dizer que essa escola encontra-se num modelo transitório de Comunicação Total para o Bilingüismo.

Iremos utilizar dois textos de K., escritos em momentos diferentes de sua escolarização, os quais mesmo sendo produções de texto simples, nos apresentam diferenças estruturais consideráveis.

O primeiro é uma produção de texto realizada logo que K entrou na escola regular. Esta foi feita com base em leitura de imagem e uma incentivação escrita como pretexto.

Era uma ves um jacaré com conversar. Veio muito veio. A tartaruga estava com Triste. O jacaré começou Fala igual O Bico Do papagaio muito levado.O jacaré pediu De sculpa.

Este outro texto foi produzido após dez meses de freqüência de K. no ensino regular e se trata de uma produção feita a partir de imagens ordenadas pela própria aluna.

A pescaria.

O Alex foi pescar peixe na lagoa.

O menino ficou alegre porque pescou um peixe muito bonito e grande.

Ele assou o peixe para comer.

O peixe estava muito gostoso!

O primeiro texto de K. traz características muito semelhantes ao do aluno B. com relação às peculiaridades lingüísticas marcadas pela omissão de elementos e palavras importantes para o corpo textual, ou mesmo pelo uso equivocado de outros recursos.

No entanto, o segundo texto apresenta um amadurecimento muito grande com relação ao uso de conectivos ou mesmo flexões verbais, tão difíceis de serem compreendidas pelo sujeito com surdez.

O processo de aprendizagem de K. foi efetivado pelo uso sistemático da língua de sinais, sobretudo para a organização do pensamento e para a compreensão de conceitos, mesmo havendo grandes diferenças entre a estrutura da LIBRAS e a estrutura do Português.

Quando o aluno com surdez é mediado adequadamente e tem a oportunidade de organizar seu pensamento via sinais (que é sua língua primeira e que deve ser o ponto de partida para a aprendizagem da segunda, o Português), este tem a possibilidade de produzir um texto bem estruturado e compreensível para os leitores que por ventura venham a lê-lo, cuja prática de escrita vai se aperfeiçoando com a mediação dos ouvintes, não de forma mecânica, mas interativa.

O aluno com surdez, inicialmente, agirá por imitação, num caráter prospectivo de que, futuramente, venha a fazê-lo de forma independente e ativa (como ocorreu com K.). Vigotskii (1998, p. 112) nos esclarece acerca da imitação dizendo que:

A diferença substancial no caso da criança é que esta pode imitar um grande número de ações - senão um número ilimitado - que supera os limites da sua capacidade atual. Com o auxílio da imitação na atividade coletiva guiada pelos adultos, a criança pode fazer muito mais do que com a sua capacidade de compreensão de modo independente. A diferença entre o nível das tarefas realizáveis com o auxílio dos adultos e o nível das tarefas que podem desenvolver-se com uma atividade independente define a área de desenvolvimento potencial da criança.

Dessa forma ocorre uma apropriação consciente da língua, ou seja, o aluno com surdez não age apenas como um mero repetidor da língua oficial do país, mas é capaz de colocar-se como sujeito ativo. Isso ocorre exclusivamente, porque através da mediação, temos a oportunidade de reconhecer regras e conceitos impossíveis de serem

compreendidos apenas pela imposição de cópias e repetições orais.

 

LISTA DE LIVROS PREFERIDOS

Livro Ilustrado de Lingua Brasileira de Sinais Autor: Márcia Honora / Mary Lopes E.Frizanco Editora: Ciranda Cultural A Casa da Árvore Encantada Autor: Pat Hegarty Editora: Ciranda Cultural O Grande livro do Amor Autor: Trace Moroney Editora: Ciranda Cultural Os mais Belos Contos de Grimm Autor(a): Gustavo Mazali / Poly Bernatene Editora: Ciranda Cultural Categoria: Infantil Olhe Mais Perto - Criaturas do Mar Autor(a): Sue Malyan Editora: Ciranda Cultural Categoria: Enciclopédias Minha Primeira Biblioteca Histórias Bíblicas Autor: A.D. Borrill Editora: Ciranda Cultural Categoria: Bíblicos Editora: Ciranda Cultural Quincas Borba Autor: Machado de Assis Categoria: Literatura O Mulato Autor: Aluísio Azevedo Categoria: Literatura Marília de Dirceu Autor: Tomaz Antônio Gonzaga ategoria: Literatura Lira dos Vinte Anos Autor: Álvares de Azevedo Categoria: Literatura

Linda Mensagem de Perdão

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Lista de Filmes

O CAÇADOR DE PIPAS, KELVIM VERSUS KELVIM,NELL,LIBERDADE ELECANDO FILMES SOB A TERRA ( Filmes que trazem catástrofes que poderão ocorrer com a nossa terra) 10,5 – O DIA EM QUE A TERRA NÃO AGUENTOU, 2012 – O DIA DO JUÍZO FINAL, ARMAGEDON, DIAS DE DESTRUIÇÃO, FIM DOS DIAS, LONDRES, METEORO O DIA DO JUÍZO FINAL, O DIA DEPOIS DE AMANHÃ, O DIA DA DESTRUIÇÃO, PARIS 2010, TEMPESTADE, TERREMOTO, TSUNAMI.


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(Provérbio armênio)
Melhor bem enforcado do que mal casado.
(Provérbio alemão)
Se alguém está tão cansado que não possa te dar um sorriso, deixa-lhe o teu.
(Provérbio chinês)
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(Provérbio Tibetano)
Começar já é metade de toda ação.
(Provérbio grego)
As lágrimas dos bons caem por terra, mas vão para o céu, para o seio da divindade. (Provérbio chinês)
Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.
(Provérbio chinês)

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